SOBRE
Quando Gal Nunes, certa manhã, despertou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseada em uma publicitária!
A referência vem de A Metamorfose, de Franz Kafka, meu livro favorito que começa com uma transformação um pouco mais dramática do que a minha. No meu caso, a mudança foi de área: comecei minha trajetória acadêmica na Psicologia e, depois de alguns semestres estudando comportamento, subjetividade e relações humanas, encontrei na Publicidade um espaço em que podia juntar esse interesse com outra coisa que sempre fez parte de mim: a criação.
Hoje, curso Publicidade e Propaganda na PUCRS e venho construindo minha trajetória principalmente entre redação publicitária, mídias sociais, roteiro e produção de conteúdo. Já trabalhei com marcas, editoras e diferentes projetos, escrevendo para campanhas, redes sociais, CRM, mídia, sites, materiais impressos e audiovisual. Também atuo como monitora da disciplina de Roteiro: Estruturas e Formatos, experiência que me aproximou ainda mais de construção narrativa, personagens, conflito, ritmo e, principalmente, reescrita.
A Psicologia ficou para trás como graduação, mas não exatamente como repertório. Entender pessoas, perceber nuances de linguagem e pensar sobre como construímos significado continua atravessando a forma como escrevo. Talvez por isso eu tenha tanto interesse por trabalhos em que a comunicação exige mais do que encontrar uma frase bonita, mas sim entender o que está sendo dito, para quem e de que maneira aquilo pode fazer sentido.
Fora da publicidade, grande parte do meu repertório vem da literatura, do cinema, da fotografia e de outras formas de arte. Gosto especialmente de textos que prestam atenção às pequenas escolhas de linguagem, aos detalhes e às contradições das pessoas. Leio porque gosto, mas também porque, inevitavelmente, cada livro aumenta um pouco o número de maneiras que conheço de contar uma história.
E acho que é justamente aí que literatura e publicidade se encontram para mim. As duas dependem de ritmo, ponto de vista, escolha de palavras, construção de imagens e entendimento de quem está do outro lado. A diferença é que, na publicidade, às vezes temos um romance inteiro para criar uma sensação. Em outras, temos três segundos, uma headline e um botão.
Entre uma coisa e outra, sigo tentando fazer com que cada palavra tenha um motivo para estar ali.